A pauta que nos conecta

Iluminação, samadhi, redenção, paraiso, nirvana…tantos nomes, tantas linguagens para sinalizar a mesma busca pela total libertação, pelo estado de integração, o ‘diluir-se no uno’.

É que na tentativa de acessar cada ser humano, de comunicar a mesma mensagem para diferentes níveis de compreensão, surgem tantos avatares e ordens espirituais diversas, a nos indicar infinitas possibilidades de caminho e preenchendo, assim, todas as  lacunas da consciência de forma a permitir com que o ser encontre a sua maneira de alcançar a transcendência e o despertar. Convidam-no a interferir, a acordar, a transformar-se.. E tantas são as direções que, no entanto, nos conduzem à mesma porta.

E quem sabe não seja também a Música um desses avatares: tão universal em sua linguagem, tão humildemente presente em nossa vida e, ainda assim, tão mal compreendida por nossa civilização? Imagine que, num dado momento, alguém simplesmente começa a  “escutar”. Alguém ‘ouve’. E então compreende. Reintegra-se a uma ampla e cósmica partitura que conecta o ser à vasta corrente de energias e forças que envolvem tudo, formando o Todo. Subitamente, o ser desperta para seu verdadeiro papel dentro deste fluxo; a peça justa que restava, para firmar o elo de um circuito que agora se completa.

Quando isso ocorre, é porque a Música conseguiu cumprir sua função e seu compromisso: de oferecer-se como mais um caminho, mais uma porta. E quem sabe não seja a Música o verdadeiro caminho, o que sempre esteve, sempre existiu, como expressão comum a toda raça humana?

“No início era o verbo”, e o verbo era o som. Então o verbo é a música se fazendo matéria e sendo também a nossa arqueologia sonora, pois tudo que existe no universo possui um som correspondente. O caminho da Música nos indica um retorno a este som primordial, pois cada ser é um som, uma música em potencial. E uma pessoa nunca vibra isoladamente, o ser sempre ressoa em simpatia com outros. Quando alguém começa a aproximar-se de sua vibração original, põe-se a movimentar outras tantas frequencias comuns, que também se encontram neste ponto de culminância: tornam-se ondas iguais, que se encontram no espaço e se amplificam, potencializando a vibração de todo o conjunto em frequencias cada vez mais altas e fortes. Ou seja, é a trama: um acontecimento, uma ocorrência ou uma transformação nunca se dão de maneira isolada, mas arrastam consigo todo o Universo. Vemos que nossas ações e nossos pensamentos afetam e interagem com o todo, transformando-o.

Somos particula-onda, em vibração contínua. Como uma pedrinha que cai na água, nossas interferências se propagam em ondulações que são sentidas por toda a vastidão do oceano cósmico. Comunicamo-nos com o universo pela linguagem ritmica e frequencial das alturas melódicas e da pulsação – nossa natureza é música! É importante termos consciência dessas leis harmônicas que governam o Universo; compreender que há padrões de movimento que concorrem, de todas as maneiras, para a verdadeira evolução. E é  fundamental que estejamos acordados, concectados a essa partitura cósmica, que cada um de nós sintonize-se com sua freqüência primordial, vibre numa escala maior, de modo que, todos juntos, possamos fazer ressoar a canção das esferas – a Música do ser.

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