Meta m o r f o s e

Numa noite de terça de ofício no meu sacro ensino-aprendiz era o dia da visita do ” pai dedinho”, (nome carinhoso que eu dei para o momento em que eu ‘aponto o dedo’ em certos lugares que precisam de uma maior atenção no processo dos cantores-peregrinos)  quando uma peregrina me perguntou:

“Andrea, o que é exatamente o pai dedinho?”
Na hora em que eu ia responder uma borboleta branca entrou na sala e pousou no meu dedo. A resposta estava ali, pousada no meu dedo. Então eu respondi que, assim como nós, a lagarta também não sabe que carrega em si uma borboleta. Mas o mestre vê a borboleta que já existe, na sonoridade.
No dia seguinte, encontrei a borboleta caída no chão em mais uma metamorfose, desta vez invisível para nós. Morta?!
Levei ela para a minha casa, pois sentia que ainda tínhamos algo para realizar juntas. Então imaginei levá-la para dar um passeio por lugares que amo visitar: as paisagens pintadas por mestres chineses.
Seria um segredo nosso:
“vou te levar aonde eu, possivelmente, também jamais conhecerei” – e fomos para dentro das pinturas de Huang Binhong.
Três mêses depois, quando já nem me recordava mais deste episódio, lá estava eu preparando-me para embarcar rumo à China. E eis que um dia ouço uma voz delicada soprar suave em meu coração: “Agora sou eu que irei levar você para dar um passeio”…

“Vamos juntas“, respondi.

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